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Vamos, Garotas! De Gabriela Penna

Já saiu o livro “Vamos Garotas! Alceu Penna, moda, corpo e emancipação feminina“, de Gabriela Penna.

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Moda e Conhecimento

O Grupo MODA, COMUNICAÇÃO E CULTURA do programa de pós-graduação em Comunicação e Cultura Midiática da UNIP e o NIDEM (Núcleo Interdisciplinar de Estudos da Moda) convida para a mesa redonda:

Moda e Conhecimento: interfaces com as ciências humanas e a comunicação

Cristiane Mesquita (Anhembi-Morumbi-SP)

Maria Lucia Bueno (UFJF)

Maria Lucia Santaella (PUC-SP)

Maria Teresa Toledo de Paula (Museu Paulista-USP)

com mediação de Maria Gabriela SMC Marinho (UFABC)

organizadoras:

Solange Wajnman (UNIP-SP) e Maria Claudia Bonadio (SENAC-SP)

23 de agosto de 2010, às 14h no anfiteatro da UNIP

Rua Dr. Bacelar 1212, 3º andar, Campus Indianópolis, São Paulo.

Maíra Zimmermann

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Moda e Cinema – A visualidade: além e aquém das palavras

A Partida, de Yojiro Takita

O Ponto Vermelho, de Marie Miyayama

Hanami – Cerejas em Flor, de Doris Dorrie

Tomemos as narrativas fílmicas dos filmes “A partida” (Okuribito, Dir. Yojiro Takita, Japão, 2008) em cartaz no cinema HSBC; “O ponto vermelho” (DER ROTE PUNKT, Dir. Marie Miyayama, Alemanha, 2008) ainda inédito no circuito comercial, exibido Mostra de Cinema-2009; e “Hanami – Cerejas em flor” (Kirschblüten – Hanami, Dir. Doris Dorrie, Alemanha-França, 2008), em cartaz no espaço Unibanco da Augusta. Eles recortam temáticas que se que entrecruzam. Nos três filmes, as pausas suspensas do tempo: a gestualidade e o silêncio valem mais do que as palavras e diálogos. São obras sensíveis e dramáticas que abordam de maneira peculiar os rituais do cotidiano: comer, dormir e viver. Nos três filmes não existe uma preocupação com cortes rápidos, mas o tempo da contemplação, da meditação. As passagens entre a vida e a morte, das diferenças culturais entre o oriente e o ocidente, abordam o tema da família como vinculo afetivo e os casulos do corpo: velho e novo, estático e em movimento.

A amizade, a memória e as recordações redesenhadas no presente, passado e futuro, das passagens do tempo e espaço. Como resgatamos na morte aquilo deixado na vida? Como sentimos a ausência da presença de uma pessoa querida que já morreu? Como desfrutar os momentos essenciais da vida? Relembrando o filme de Bergman, “O sétimo Selo” em que a morte vem dialogar com um cavaleiro medieval jogando uma partida de xadrez. Nos filmes em questão o tema da morte é trabalhado de maneira muito mais complexa e deixa marcas nos corpos e nas almas.

As vestimentas: a materialidade da memória

No filme “A partida”, o morto passa por um ritual de purificação: recebendo o último banho do agente funeral contratado pela família, ele é vestido com suas roupas, seus acessórios, penteado e maquiado na frente de seus parentes, deixando-o com uma boa aparência para ser recebido numa outra dimensão. Já no filme “Hanami – Cerejas em flor”, a relação com as vestimentas também traz a memória afetiva e presentifica metafisicamente a imagem do corpo que está ausente. Como se a roupa pudesse fazer o outro reviver os momentos por sua materialidade: cor, caimento, desgastes, texturas e cheiro do dono.  Assim, o personagem Rudi já na terceira idade e com pouco tempo de vida, ao perder a sua companheira, Trudi de um longo casamento, encontra-se sozinho. Os seus filhos cresceram e são egoístas demais para abdicar de suas vidas para cuidar do pai. Em vida, a sua mulher abandonara o sonho de ser dançarina de Buthô em prol do casamento e dos filhos. Lembrei-me do livro que li em 2004: “O Casaco de Marx. Roupas, memória, dor”, de autoria de P. Stallybrass que revela trajetória que o casaco de Karl Marx indo e vindo do corpo de seu dono à loja de penhores é refletida na obra “O Capital”. A memória que o casaco carrega e a relação do seu dono com o mesmo acabaram por gerar reflexões sobre consumo, valor dos bens de consumo e a relação deles com as pessoas.

No filme “Hanami – Cerejas em flor”, o personagem, na ausência de sua mulher vai viver alguns momentos a partir das suas vestimentas cotidianas. Assim dentro de uma pequena mala ele carrega para o Japão todos os pertences que vão corporificar a presença-ausência da esposa morta: fotos, um livro, um colar, um casaco azul, uma saia de bolinhas pretas e um robe de seda. Como se as roupas estivessem impregnadas de suas memórias pessoais e afetivas. Então, ele experimenta as roupas femininas, no seu corpo masculino e vai “mostrando a cidade” às suas roupas, como se um pedaço dela estivesse ali. As roupas vão muito além das palavras, no seu silêncio, transportam todas as nossas narrativas, memórias e afetividades.  Assim, a materialidade da memória afetiva está aprisionada nas nossas roupas.

Sites de pesquisa:
http://www.youtube.com/watch?v=uqiMLQPJUKA
http://www.departures-themovie.com/
http://www.mostra.org/

Colaboração de Jô Souza

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Uma galeria de garimpos

Por definição “uma loja de garimpos, um misto de brechó, antiquário, sebo, com produções independentes de moda, arte e design”, por experiência uma combinação de nostalgia e sofisticação, num espaço aconchegante, com cheiro de coisa boa (sim, ele fica 2º piso do Otto Bistrot). Inaugurada no dia 17 de dezembro, a Freddie & Grace apresenta uma seleção criteriosa de peças desde roupas, acessórios até objetos de decoração, tudo devidamente etiquetado.

Além de bisbilhotar os mimos, o visitante poderá apreciar parte da mostra Let’s Lomo!, composta por fotografias lomográficas do coletivo RecifeMostraLomo.

Quer mais? A loja funciona até a meia-noite! Uma opção para quem é apaixonado pelos achados de outrora.

Freddie & Grace loja de garimpos
Rua Pedro Taques, 129 – Consolação
http://freddiegrace.blogspot.com/
http://twitter.com/freddiegrace

Juliana Rosa

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Moda e Cinema: O Acossado

O cineasta francês Jean-Luc Godard desconsiderou as formas convencionais de fazer cinema em O Acossado (À bout de souffle), de 1959. Apontado como um marco, o filme abriu as portas da Nouvelle Vague.  Em seu primeiro longa-metragem, o diretor utiliza uma narrativa fragmentada, não linear, focada no imediatismo dos personagens, com um senso do realismo de “aqui e agora”; contraponto à forma tradicional do cinema clássico norte-americano.

Essa ruptura na maneira de comunicar acontece no momento em que as transformações culturais na França ganhavam força de mobilização de uma contracultura jovem. O foco passa a ser o individual, com vista à transformação social coletiva, mudanças que irão culminar nos movimentos de maio de 68. O cinema passa a ser livre e pessoal, desapegado de qualquer tipo de “amarra social”. A forma de contar a história é mais importante do que a própria história. No cinema, na música, nas roupas, o espírito jovem contracultural começa a se assentar nos anos 60.

Uma interessante forma de pensar a relação entre cinema e moda é atentar para os personagens principais do filme: Patricia Franchini (Jean Seberg) e Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo).  Ela, uma bela estudante universitária. Ele, um espertalhão foragido da polícia. É no non-sense dos diálogos do casal, nem tão apaixonado, que a incompatibilidade de seus mundos se mostra presente. Mas isso é o que menos importa. Tanto Patrícia quanto Michel estão interessados no presente. Os personagens falam com a câmera, trazendo uma nova forma de comunicação com o público. As cenas muitas vezes dão a impressão de serem cortadas na metade; quem assiste tem uma sensação de maior interação com a história que está sendo contada.

Os personagens Patricia Franchini e Michel Poiccard em cena clássica do filme O acossado

O figurino dos personagens lançou moda nos anos 60. Patrícia vestia uma calça cigarrete preta e uma blusa de malha amarela com os dizeres do jornal em que trabalhava: New York Herald Tribune. Menina moderna em suas atitudes, tinha os cabelos loiros muito curtos que lhe completavam o visual. Norte-americana de origem, trabalhava e estudava em Paris, relacionava-se com vários homens e não usava soutien, atitudes que condiziam com o corte ousado e refletiam as condições de seu tempo. Estava sempre muito preocupada com a aparência. Gostava de saia de pregas, blusa listrada e vestidos. Um de seus looks é inspirado em Dior, o que mostra forte influência dos anos 50. Em um dos diálogos, Patrícia pede a Michel que lhe compre um vestido Christian Dior. Ele lhe responde que um comprado em uma loja de departamento teria a mesma qualidade.

A personagem Patricia Franchini trajada com o look inspirado em Dior

Michel Poiccard traja óculos escuros, terno, gravata e chapéu, lembrando filmes de gângters norte-americanos dos anos quarenta. O figurino de seu personagem é claramente inspirado em Humphrey Bogart; a ligação com o tipo “valentão” é um recurso utilizado para dar-lhe credibilidade. Michel é alguém que vive de maneira a aproveitar o presente, sem dar muita importância às conseqüências. Temos a impressão de que sua vida vai se desenrolando ao acaso: o crime que comete é um acontecimento aleatório. Para ele, são as circunstâncias que fazem o momento, enquanto age de forma veloz e perspicaz, sem deixar de lado seu humor ácido. Mesmo em todas as suas peripécias, está preocupado com a sua aparência.

Michel Poiccard: figurino inspirado em Humphrey Bogart. Fonte imagens: http://www.imdb.com

A Nouvelle Vague possibilitou uma nova forma de comunicação nas artes que atingiu e transformou efetivamente a vida de grande parte da população européia, fato este que refletiria mundialmente. As formas de entender e relacionar-se com o masculino e o feminino não seria mais a mesma a partir dos anos 60. A diferenciação, a individualidade, a luta por direitos e mudanças começam a se fazer ouvir: são as reinvindicações dos jovens definidos como faixa etária distinta.  Muitas portas começam a ser abertas com o estabelecimento de uma cultura juvenil, com novas possibilidades de pensar o corpo em relação com o traje como canal de comunicação, inserido nas transformações sociais que o rodeiam.

Maíra Zimmermann

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Moda e Design Gráfico

Ilustração de J. Carlos para capa da revista Para Todos. out. 1929. Fonte: http://www.jotacarlos.org

Quando a Maíra e a Ju me chamaram para compor este site, pensei como eu, uma designer gráfica, poderia colaborar com um veículo de moda, além de trabalhar no layout e ajudar com as fotos. Apesar de não ter desenvolvido grande aprofundamento nessa área, tenho diversos interesses em campos afins, e esse convite me dá a oportunidade de pensar nessas ligações e enveredar pelas relações entre design e moda.

Tudo isso pra falar de um projeto muito bacaninha, mesmo que este não pareça um adjetivo muito adequado para um projeto acadêmico que envolve grandes nomes do design gráfico. Como parte do projeto Memória Gráfica Brasileira – MGB, a prof. Julieta Sobral, da Puc-Rio, realizou sua pesquisa de doutorado sobre o trabalho de J. Carlos, designer gráfico, ilustrador e caricaturista brasileiro que atuou, entre os anos 1920 e 1930, em duas importantes publicações nacionais: “O Malho” e “Para Todos”. A pesquisa resultou na digitalização de nove anos de ambas as revistas resgatando, preservando e disponibilizando em um banco de dados na internèth esse magnífico material, que é um retrato dos costumes de uma época não tão distante, mas pouco conhecida de grande parte dos brasileiros.

A pesquisa e o material disponibilizados interessam muito aos designers gráficos, mas não menos aos historiadores, antropólogos, sociólogos, estilistas e estudiosos de moda, artistas, literatos, jornalistas e curiosos em geral, que podem ter acesso não só às ilustrações e tipografias, mas também aos textos, com críticas aos fatos da época, às publicidades de produtos e marcas, e ao figurino, expressões e modo de ser das pessoas.

Eu adorei o resultado da pesquisa e espero que aproveitem a viagem ao passado. Parabéns à prof. Julieta Sobral por seu trabalho e contribuição valiosos à memória – não apenas gráfica – brasileira.

Sugestão: Ao clicar em acervo, registre-se no site, pois isso possibilita salvar anotações e favoritar páginas das revistas para consultas posteriores.

Elisa Pontes

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Inventando Moda

Dentre tantos, apenas mais um. Mesmo sem pretensão aparente, a frase incomoda. Ninguém quer ser banal. Para que tentar fazer algo novo quando tanta gente já teve a mesma ideia. E são boas algumas ideias. Naquelas incríveis, fico de olho e penso porque não fui eu que as tive primeiro. Ficou claro o quanto é difícil ser original quando estávamos tentando nomear nossa proposta: TODOS os nomes que imaginávamos já haviam sido pensados por alguém antes.  Então fica a pergunta: por que outro site/blog de moda nessa rede dominada pelo Control C, Control V?

Porque o que se usa tem uma história, que pode ser longa – a História com H – ou pode ser aquela que começará  na interação entre você e a sua roupa, e mesmo essa já nasce cheia de memória. Faz um tempo já, a moda vem das ruas, sendo o resultado vestível de um determinado momento. A moda que hoje é moderna, daqui um tempo, será de época. E quanto mais percebemos a interação entre passado e presente, mais entendemos e conseguimos desmistificar essa Moda – com M – que nos parece por vezes inatingível. Queremos mostrar que a “última moda” não é apenas a que está nas revistas ou nas passarelas.  Ela surge quando a criamos diariamente, brota da intenção de nos inventarmos cotidianamente, acontece de dentro pra fora e de fora pra dentro.

Maíra Zimmermann

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